A Kelly, minha mais fiel e atualmente única leitora me sugeriu escrever como é voltar para Teresina depois de ter morado em Portugal. Daí me sentei aqui em frente ao computador com esse propósito mas sabe de uma coisa? Nem eu sei bem como é, ainda estou me perguntando se isso foi bom ou ruim. Mas vamos aos fatos:
Voltar para a nossa terra, nosso país principalmente, é sempre bom. A gente se sente em casa, não que eu já não me sentisse em casa em Portugal mas aqui é diferente. Explico: aqui as pessoas falam igual a mim, elas me entendem de primeira, sem os chatíssimos “que?” que eu ouvia sempre lá fora. Aqui as pessoas não acham o meu comportamento tresloucado nem nada do gênero. Gente, não sou tresloucada, mas em Portugal eu já era estranha por ser de outro país, qualquer coisa um pouco fora dos padrões deles já era meio doido. Lembro que quando ainda namorava meu atual marido passamos um reveillon no Brasil, na praia como é habitual e depois da meia noite corri para o mar pular as três ondinhas… Essas coisas que brasileiro faz, ele me olhava meio atônito, me achando “a louca” e ainda me disse assim: “quem tem muito riso, tem pouco juízo”, uma coisa tão simples! Como assim eles não entram no mar a meia-noite? Como assim ele (marido) não andava descalço na areia da praia? Enfim, diferenças culturais que depois fui aprendendo.
Voltar é poder ser eu mesma, sem qualquer cuidado com as palavras que falo, com as roupas que visto… Conversar sobre tudo com os meus amigos, sem tabus. Lá por mais amigas portuguesas que eu tivesse e por mais que eu gostasse muito delas, havia uma linha que não era possível ultrapassar, certas coisas que não se conversa, que não se conta. Não sei, uma vez falei isso com a minha cunhada achando que podia ser apenas por sermos de nacionalidades diferentes, mas ela disse q não, que eles eram assim mesmo.
Ao mesmo tempo, voltar me dá nos nervos. Pois é, ver as pessoas passando nos sinais vermelhos todos, sem usar cinto de segurança, ultrapassando por todos os lados, furando filas, ver a arrogância de alguns, a falta de educação de outros, o lixinho jogado na rua… Tudo isso me irrita.
Daí eu entro em uma loja qualquer e a atendente me recebe com um sorriso e eu lembro o quão bom é morar no Brasil, sem aquelas pessoas mal-humoradas que parece que te fazem um favor em te atender e isso começa logo no avião, alguém aí que já viajou na TAP tem boas recordações da “aeromoças”? Eu não.
Enfim, cada lugar tem seus prós e contras. Em Portugal gosto do respeito às regras, da segurança, das estações bem definidas, das coisas mais baratas (roupas, perfumes, eletrônicos…), do cuidado com o ambiente…
No Brasil acho que gosto principalmente das pessoas (a maioria, porque alguns… Bom, toda regra tem exceção, não é mesmo?), da alegria delas, da simpatia, da solidariedade, da amizade verdadeira. Gosto do modo menos metódico que as pessoas têm de viver, mais relaxado sem deixar de fazer o que deve ser feito. Gosto da falta de regras para se ver um amigo, para se reunir com a turma, aqui toda hora é hora e qualquer dia é dia. Gosto das oportunidades aqui, das lojas com ambiente bem decorado, bem cuidado…
Enfim, acho que cada lugar tem seu gosto, suas qualidades e seus defeitos, temos é que tentar aproveitá-los da melhor maneira, adaptar-se a cada ambiente tentando absorver as coisas boas.